sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Não duvide. Ouça.


Nunca fui fã de listas. Quer dizer, sempre dou uma conferida nas famosas relações dos "melhores de todos os tempos da última semana", mas procuro não levá-las a sério. Prefiro avaliar cada um dos integrantes da disputa.

A revista Rolling Stone, em sua edição de aniversário aqui no Brasil, resolveu elencar as 100 maiores músicas brasileiras. Claro que a lista virou uma gostosa polêmica. Polêmica porque é uma relação bizarra ("Detalhes" em 8º? "Canto de Ossanha" em 9º?). E gostosa justamente porque nos permite ouvir, debater, concordar e discordar.

Se você não clicou no link acima, digo que até mesmo o primeiro lugar de "Construção" é contestável, embora inconteste seja a relevância e o peso do protesto que se encerra na letra escrita pelo moço bravo da foto ao lado (uma bela resposta, naquele começo da década de 1970, ao lema "Brasil, ame-o ou deixe-o". Chico preferiu o F..., com efe maiúsculo).

domingo, 11 de outubro de 2009

...e de sãos



O cronista e médico Eduardo Gonçalves, da foto à direita, já foi o jovem de 23 anos, da outra imagem. Isso na época que era conhecido, e reverenciado, como Tostão.

Daqueles tempos, precisamente das décadas de 60 e 70, soube conservar a inteligência que sempre o destacou dos demais jogadores de futebol - de ontem e sempre, pois ainda existe a maioria de atletas burros.

Ao voltar das férias que deu a sua coluna da FOLHA, Tostão escreveu, neste domingo, o sensato texto:

Prêmios e homenagens

NA SEMANA PASSADA , ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o governo federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas.

Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia.

O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época.

O que precisa ser feito por governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias.

É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para a vida, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades. A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda.

Alguns vão lembrar e criticar que recebi, junto com os campeões de 1970, um carro Fusca da Prefeitura de São Paulo. Na época, o prefeito era Paulo Maluf. Se tivesse a consciência que tenho hoje, não teria aceitado. Tinha 23 anos, estava eufórico e achava que o prêmio era uma grande homenagem pela conquista do título mundial. Ainda bem que a Justiça obrigou o prefeito a devolver aos cofres públicos, com o próprio dinheiro, o valor para a compra dos carros.

Não foi o único erro que cometi na vida. Sou apenas um cidadão que tenta ser justo e correto. É minha obrigação.

Tempos de loucos...














A MTV brasileira colocou no ar a propaganda de um chat para paquera que oferece ao telespectador a oportunidade de conhecer gente nova através do envio de torpedos.

Até aí, nada de anormal no mundo em que vivemos. Porém, o que me deixou intrigado é o texto da propaganda, que resumidamente, conta o seguinte:


"Ele é bonitinho, mas será que beija bem? Essas e outras dúvidas você pode tirar participando e conhecendo pessoas novas no chat da MTV. Envie um torpedo para XXX e faça novos amigos"


Pergunto: é mais insano tentar tirar a dúvida sobre a qualidade de um beijo ou acreditar em amizades feitas por torpedos de celular?

PS.: a pergunta acima cairia bem no programa Furo MTV, apresentado, de segunda a sexta, às 22h15, pelos meninos da foto, Dani Calabresa e Bento Ribeiro. É o programa da TV brasileira que mais me interessa, atualmente. Rápido, inteligente, sarcástico e sem ser pseudo-intelectual como o CQC.

domingo, 4 de outubro de 2009

Série ARGUMENTOS - capítulo 1




















Idéias que podem virar contos, roteiros ou rascunhos de alguma coisa.

Primeira parte, inspirada no pensamento do artista plástico uberlandense Afonso Lanna

"A vida é representação. A gente incorpora um personagem. E isso não é hipocrisia"

Entrou apressado e exausto na suíte presidencial, providencialmente localizada no último andar do hotel. Mais um hotel. Sua vida se resumia a eles e seus rituais: desfazer e fazer as malas, conforme o tempo disponível. Com sorte, podia tomar o café da manhã ou almoçar no restaurante. Do hotel, claro. A agenda lotada incluía desde compromissos com a profissão que escolheu até as intermináveis fotos publicitárias. Não aguentava mais tantos patrocinadores e bajuladores. Sua equipe, que começara apenas com gente da família, já chegava a 20 pessoas. Eram sua "família", como costumavam repetir aos jornalistas. Ele mesmo não dizia nada.

Há tempos ele não sentia obrigação de dizer alguma coisa. Havia um time que pensava, dizia, xingava e até ria por ele. Por isso, entrou correndo na suíte. O DVD do Damien Rice, que ganhara depois da penúltima premiação, era sua salvação naquela madrugada repleta de sensações. Ouvir "The Blower's daughter" em alto volume o ajudaria a esquecer a festa que ainda rolava no salão de festa daquele hotel caro. Premiado como o melhor do ano, raro era o momento de sossego, em que pudesse avaliar o que lhe aconteceu em menos de 10 anos de carreira. Talvez, viesse daí a necessidade de músicas que falassem de solidão, como as que o Damien Rice cantava, quase gritava, no home teather.

O tédio, a satisfação pessoal e profissional e a raiva de algumas perguntas capciosas, tudo ocorrido na entrevista coletiva daquela noite, faziam-no mais amargo. Queria a solidão de uma música triste. Paz para seus pensamentos e tempo para ligar para a verdadeira família, em outro continente. Queria ouvir palavras sinceras, a mãe perguntar pela alimentação, o pai perguntar das finanças e os irmãos falarem dos sobrinhos. Começava a desconfiar, até, que precisava de uma companhia para assistir aquele DVD. Mas onde encontrar essa companhia entre tantos fãs descartáveis, tantas pessoas interessadas em fotos que parariam na internet, em segundos? Tinha medo dos interesses de quem se aproximava dele. E todos o achavam inacessível. Vivia em uma ilha onde tinha tudo, mas queria fugir. Queria, talvez - num pensamento sinistro -, pular daquela janela, de onde podia ver vários fãs na calçada do hotel. Sabia, no entanto, que seu corpo quebrado na calçada seria alvo dos flashes. Talvez ganhasse prêmios póstumos e sua "família" de assessores migraria para outro famoso. Tudo era muito rápido nos rituais de hotéis caros.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Yes, We créu! (só podia ser frase de carioca)



Espírito olímpico

Minha sugestão de cantora (porque a voz delas é mais bonita) para o hino nacional brasileiro, na abertura das Olimpíadas 2016. Brasil...sil...sil!!!

É para comemorar?













Passada a euforia da comemoração, veremos se os brasileiros serão beneficiados com dois eventos esportivos mundiais simultâneos - Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e as Olimpíadas de 2016.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sábia Mafalda



Como bem disse a Mari: para muita coisa na vida.