
"...nós só estamos aqui por conta do amor.
Deus, o amor da sua vida, sua mãe com quem você não fala há duas semanas, uma criança que você nunca viu na rua, sua irmã de criação, alguém que você entrevistou, seu companheiro de anos, uma mulher que você viu na TV, a filha adolescente de sua amiga que está sendo expulsa de casa, alguém que te responde sempre com 'oi meu amor', os parentes que choram a morte de um pai de família, a moça de quem você ainda não esqueceu como era o beijo, o cara que você fica olhando antes de ir embora para trabalhar enquanto ele ainda está dormindo, a menina que mereceu ganhar 12 dúzias de rosas, o namorado para quem você encheu uma parede de post-it, a noiva que não queria se casar na igreja, a terceira neta de sua amiga que ainda vai demorar cinco meses para nascer, os dois irmãos que finalmente estão se falando depois de 15 anos, a amiga da sua mãe que você encontrou no check-in do aeroporto, o turista italiano surdo que te pediu informações em Dublin, a mochileira alemã que se instalou no quarto do seu albergue, a outra ponta de uma história recente que não deu certo e cujo convite (automático) para entrar numa rede social chegou inesperadamente hoje de manhã, a bibliotecária que te cobra um livro, a menina que você deixou para trás depois de quatro anos de namoro, seu sobrinho que teve um aneurisma ainda adolescente (e sobreviveu), a garçonete para quem você nunca lembra de deixar uma gorjeta à altura da simpatia dela, o dono da mão que está sempre suada toda vez que te vê, a jovem que treme de estar na mesma sala que você, o monge mirim que você encontrou meditando no meio de um bosque, o pai da sua amiga que não fala com você enquanto está ouvindo música clássica, a loirinha que te levou para o fundo da sala tentando te arrancar um beijo, os jurados que te medem decidindo se você deve passar mais uma etapa do teste, quem te olhou bem dentro do olho e disse um dia “não tem volta”, a única pessoa que realmente te faz falta hoje, a aeromoça que te cumprimenta prendendo seu olhar por dois segundos a mais do que a cordialidade permite, o fotógrafo que te apresenta a banda mais legal do mundo que você não conhecia, a senhora que veio fazer a barra de sua calça, seu amigo que mal conversa contigo mas vem te contar que está dormindo no carro depois que brigou com a mulher, a mulher dele, uma grande atriz de teatro que diz estar encantada em te conhecer, a repórter que não deveria estar naquela festa, o único cara em que você confia para ler seus texto antes de publicá-los, o amor da sua vida (outro), o cara que tirou o amor da sua vida da sua vida, a outra menina que está competindo com você (por mais um amor da sua vida), a mulher em cuja mão você colocou o anel, o bebê cujo pé você não consegue parar de beijar, as filhas que voltam para as casas da mãe, o garoto que não aguenta mais brigar com seu companheiro de quarto, a nadadora que chega em quarto lugar, todos os membros da banda que saem do palco sem ter dado um bis, a moça da limpeza que finge que não vê você saindo do cinema chorando, a garota que só descobriu 'Nevermind' no ano passado, sua prima que reclama que você nunca mais foi na cidade em que nasceu, seu dentista que fala que você só o procura em ano de Copa do Mundo, o garoto da camisa listrada, a menina que te aponta um táxi vazio, qualquer pessoa que passar por aquela porta, qualquer um ou qualquer uma que disser eu te amo, qualquer imbecil que te chamar de imbecil, todas as pessoas que te admiram, todas as pessoas que você admira, sua avó em uma foto da adolescência, a mãe da Giulia, o pai do Téo, o irmão do Alê, a Tereza, o Werneck, a Uchoa, a Cris, o Chris, o filho que você ainda não teve mas quer chamar de Facundo. Todo mundo.
Se não for por amor, então por quê?
'A árvore da vida' tem a resposta. E é por isso que eu vou ver de novo e de novo e de novo e de novo. Se o filme é tão precioso, é porque vai buscar no cósmico uma explicação para o cômico de nossa vida. E, como me lembrou uma grande amiga na semana passada, Balzac não escreveu a 'comédia humana' para fazer a gente rir…"
eu não entendi nada... q chato,faz outra coisa...
ResponderExcluirDemocraticamente, aceitei a primeira crítica a um post meu. Aliás, entendi como crítica o comentário do "Moderador Gabriel".
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